Compulsão

Sou definitivamente uma pessoa emocional. Me deixo afetar pelos sentimentos ou até mesmo pela falta deles.
Sinto tudo desproporcionalmente e sou guiada 99% das vezes pelo
coração. Tento ser racional, mas parece que meu sistema nervoso pulsa no
peito.
(Se estivéssemos em 2007 eu diria que esse texto é muito emo, mas, por favor, continue lendo)
Tenho uma inimiga e luto contra ela desde a adolescência: a maldita ansiedade.
Fico ansiosa por qualquer mínimo detalhe ou qualquer coisa fora do
meu padrão de rotina. Fico ansiosa só de ter de telefonar para alguém
desconhecido, de ter que pagar algumas contas ou de ter que apresentar
algo em público. Para mim, qualquer coisinha nova é um grande evento.
Para descarregar essa ansiedade ou essa angustia que me atormenta
utilizo dois caminhos: o da comida e o das compras. Como e compro
compulsivamente.
Em relação ao ato de comer: como para comemorar, como por estar
triste, como por estar angustiada. Como para preencher um vazio que há
em mim. Como se a comida fosse a solução: como. Até passar mal.
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| Tiny Buddha |
Ultimamente, tenho policiado minha alimentação, porque estou com alguns problemas de saúde. Então, não podendo comer, acabei arranjando outra compulsão. Compro. Compro porque preciso, compro o que eu não preciso, compro com dinheiro, compro com cartão de crédito, compro no carnê. E esqueço que não tenho emprego, nem dinheiro suficiente. Compro e quando chego em casa e largo as sacolas no chão, sinto um aperto no peito e me dou conta das burradas. Já estou cheia de dívidas, mas parece que enquanto eu estou na loja eu preciso experimentar e me apaixonar por algo. Chego em casa e me dou conta da realidade e da fatura do cartão que soma mais de dois mil reais.
Procuro na comida e nas compras um alento. Todos me falam “ah, você tem tudo para ser feliz!”. Mas não sou. Não por inteiro. Sempre em um pedacinho de mim que não me deixa alcançar a tal felicidade. Parece auto sabotagem, mas eu tento reverter a situação todos os dias, eu juro.


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